sexta-feira, 15 de abril de 2011

Detalhes, detalhar, detalhada.

É só sei falar de amores perdidos, desilusões e quando já não se perde nada nem se desilude não há o que escrever mais, não sei falar de infelicidade na felicidade, me resumo a três palavras, vazio, pedaço, falta. É difícil filosofar quando quem quer que ouça não entende, então me limito a ser breve, instantaneamente abaixo a vista e fico muda. Infelicidade, falta, vazio, pedaço, se já me resumi e avisei que ia ser breve sem mais delongas eis o ponto final.


Nota póstuma

Não era minha intenção ser breve, queria gastar calendários, gastar sonhos, planos, gastar sorrisos, tenho tantos pra dar, sou tão rica de detalhes, mas já estou começando a não poder mais me detalhar, eis aqui a garota que entrega os pontos ou os pontos a costurará?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Detalhes apenas.

Poderia descrever cada curva, cada sinal, cada ponto onde te causava arrepios, cada palavra que ia ser pronunciada exatamente no momento exato.
Poderia descrever cor da pele, tom, textura, contorno, assombreamento, dégradé, luz, saturação, exposição, sobreposição, efeito, moldura, pincel, passadas, entonações.
Poderia descrever o complemento de essências que formavam o seu cheiro, cada ingrediente, adicionado durante toda a sua vida para formar o seu perfume.
Poderia descrever cada expressão facial, cada levantamento de sobrancelha, cada repuxo de músculo no canto da boca, cada sorriso.
Poderia mostrar cada pingo de suor, de lágrima, de água de banho, de água de cheiro, de água gelada, de água quente.
Mas hoje sou uma simples intérprete, não mas descrevo apenas escrevo a saudade de sentir para poder descrever.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Remenber-me

Eu tenho em mim várias lembranças, que as vezes vai e volta como um iô-iô
na mão de uma criança, que nunca cansa de brincar elas vem em momentos diferentes e me invade de uma forma que fica difícil saber exatamente de quem, porque e qual é ela, tem momentos que elas vem todas de uma vez e como um sopro de uma ventania gelada me congela em algum momento esquecido da minha própria história, como um livro cujas páginas tem um tema exato pra me deixar no chão esquecida, eles tomam toda a minha atenção e quando volto a mim vejo a cena que vai repetir durante um tempo longo da minha vida, um cinzeiro, cigarro, fumaça e esquecimento como se diminuindo a minha saúde calasse a boca do meu pensamento tagarela, que se parece muito comigo, não paro de falar das coisas que me machucam como se assim eu me acostumasse melhor a dor e o torpor de ter que ver todas essas cenas ao vivo, faço uma piada qualquer, morro de rir por um instante e no próximo já estou submersa na minha própria reflexão. Não é fácil viver assim autoflageladamente, magoando machucado por machucado, hematoma por hematoma, são essas marcas imaginarias que ficam, que de tão fictícias se tornam reais demais, tem períodos em que as feridas fecham, todas uma por uma, mais daí vem mais um novo corte e abre todos os pontos das anteriores como se já não fosse ruim demais ter mais uma ferida nova, todas as outras tem que se manifestar como se fosse para me lembrar de que isso tudo é culpa dessa minha personalidade omissa, que não arma direito a sua auto-proteção como se toda a dor fosse o grito de alarme ecoando no meu peito, que diz pra eu voltar a mim, pra acordar para a realidade monótona que é a rotina de um dia a dia adolescente, como se nessa fase tudo fosse mais claro tudo fosse por sofrer apenas por alarde, ou desculpa pra poder dizer mais tarde que aconteceu tudo que estava previsto no script, no grande livro da sua vida, mais isso quem escreve é você e não é por ser pequeno o suficiente que tem que ter todas as dores no mundo nas costas, mude sua história sabe como?, tenha sempre em mente a celebre frase, O amor vai te foder um dia. Ela mudara a sua história, ela não vai ser igual a minha, uma alternativa pra não tornar a sua vida tão idiota quanto.

Bom Dia, Caos!

Acordei Para o Pesadelo.
E o Pesadelo Era a Tua Cara,
Pregada no espelho do banheiro.

Dia Amargo
O Café amargo.
O poema pregado na parede da consciência:
É proibido ser feliz?
É proibido ser?
É proibido?
É?

A cidade Desabou.
O poema atravessou sinais.
Olhou vitrines...
Não sei o que fazer.
Sinceramente.

Entro pelos sete buracos
Da tua cabeça
E mastigo a minha angústia
Com coca-cola & Ketchup

Caminhar.
Caminhar & Sonhar.
O tênis rangendo no asfalto da cidade.
A vida rangendo seus dentes enferrujados.
Caminhar
Caminhar & Sonhar
Gastar a sola dos sapatos
Dos Pés.
Gastar As Palavras.
Deus está atravessado na minha garganta.
O diabo é negro & quente
& tem os olhos brancos

A felicidade tem grades
Em todos os Buracos
A felicidade é o vôo do avião...

A lembrança dela
Pipoca dentro da minha cabeça
Feito uma britadeira
A lembrança dela é um pássaro
Fugindo em minha direção

Há homens mortos
Nas bibliotecas públicas
Garotos drogados nas esquinas
As pessoas me atropelam
Se atropelam
Preciso ir ao dentista
Ao bar.
Foder
Fazer um poema
Dois poemas
Três poemas
Fumar um cigarro
Amar o povo
Armar o povo
Preciso respirar
Ar.
Mar.
Preciso amar?
-Sartre, Karfka, Seus putos!

Depois de um dia inútil,
Voltas para casa.
Pela janela do ônibus
Podes te ver na multidão apressada?

O homem é um automóvel
O homem é um automóvel
O homem é um automóvel

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Gold Fish Memory

''Amarte, simplesmente, me basta hoje.
Mas não descansarei enquanto mão mais talentosa não tiver moldado meu barro parar ser mais digno do teu nome.
E se essa mão secreta não atingir a perfeição... na roda eterna, deve o meu amor fortalecer-se na chama e dar-me vida, forjado sobre o aço.
Pois quero te amar através das eras que célebres passam, até que se esgotem as areias de todas as ampulhetas.
Oh, prometida, como pude amaldiçoar meu destino e passar de sombra em sombra sem notar os sinais da aurora.''


Poema retirado do filme - Todas as Cores do Amor (Gold Fish Memory) Vale a pena assistir.

Recordações. Registros.

Sentada na cama inerte, escrevendo algo sobre mim, te espiava, delineava uma linha imaginária em torno de ti, sabia que não podias descrever o meu olhar e o que dele transmitia, mas deixei que você tentasse, quem sou eu para impedir um cérebro de funcionar, me parecias mecânica como se quisesse surpreender-me deixei que me perguntasse silenciosamente, por vezes até muda, vi estrelas girarem em torno de ti e me cobrirem também, e pela primeira vez me sentir enfim no céu de suas palavras, a seta apontada pra mim quis te chamar pra ver também, mas você cairá em sono profundo com a caneta que escrevias ainda na mão, espiei para ver o que tinhas escrito, mas hoje não me recordo bem às palavras, fechei a janela e abri bem os olhos para de novo observar o céu, o meu céu, mas seu do que meu, mas gostava de pensar assim, adormecida de inspiração na cama tu estavas, te observava mais eras linda dormindo como se nada mais existisse, fui ao teu encontro deitei-me na fresta que sobrava puxei você para mais perto de mim, te dei um beijo de respeito na testa, olhei o eu pensamento de ti flutuando em cima da minha cabeça. ‘‘Linda como se nada mais existisse”.
E por fim acordei suada e sorrindo, mas pensando seriamente. É não existiu.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Maçã e Paradoxos

Uma conversa entre amigas no pátio da escola.
- Como você consegue mentir tão bem assim?
- Risos, é o acaso, é o momento, é a intenção.
- Sabe um pouco de cuidado com isso não é assim tão mal.
- Por quê?
- A partir da hora que você anseia com muito custo uma maçã e quando você ganha se sente feliz não é?
- É, acho que sim! Onde você pretende chegar?
- Quando você dá a primeira mordida na maçã ela é deliciosa, a partir da quarta ou quinta mordida o seu gosto já começa a se adaptar a língua, ela acaba não se tornando tão esperada assim, na nona, décima ela já não tem mais sabor.
- Sim... E? Traduz por favor.
- Você quer que a maçã fique só pela ânsia, mas o que você não sabe é que ela já faz parte de você, ela já está dentro de você e por, mas que você queira muito mesmo outra maçã, aquela maçã já é uma parte sua entendeu?
- Bom... Não!
- É achei que essa séria a resposta. Então vamos mudar de assunto?
E a menina que criou a teoria das maçãs tira da sua bolsa uma maçã nova e morde, a quinta que consegui contar pelos restos no chão.



Nota Póstuma

Mas não vamos comparar humanos com maçãs, ou vamos?

 

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