segunda-feira, 10 de junho de 2013

Prólogo.

Era uma noite muito fria, meados de julho, aqueles julho que se acabam de tanto chover , eu sempre fiquei a mercê do clima, refletia fora o que por dentro me escorria, eu ficava sentada no alpendre da minha antiga escola, nunca parei de ir lá, mesmo tendo concluído o ensino médio, são tantas lembranças, tanto ferro fundido terminado em ferrugem, ficando podre, fazia aquilo pra testar a minha sanidade, pra testar minha memória.


Todos os dias eu esperava escurecer e ficava lá, vendo o movimento, exercitando minha mente, alimentando minha liberdade, sempre procurei a função disso tudo, mas nunca encontrei. Sou daquelas que só acredita em fatos, desde pequena sempre tive o habito de olhar todos os detalhes que me faziam ser eu no espelho, olhava cada traço das mãos, cada sinal no corpo, revisava mentalmente minhas características, achava que poderia ser apagada, que a minha história de nada valeria, que teria validade e como humana que sou tenho, mas pensei que ninguém nunca lembraria de uma menina normal, que sempre fez tudo normal e que nada foi alterado no ciclo tedioso do ser humano, aquele que a gente aprende nas aulas de ciência, nascer, crescer, reproduzir e morrer, eu não queria aquilo, definitivamente eu não queria, mas o que pessoas normais, com qualidade e aptidões normais, poderia fazer de uma vida predefinida a ser nada mais que um normal?

sábado, 4 de maio de 2013

Um país de loucos todos.


Eu queria ser tão determinada quanto Gandhi ou tão pura quanto Madre Teresa, mas no final só consegui ser eu, assim tão desistente e indecente, por ser comparada as teresas todas de Gandhi, seria filha da putagem e síndrome do estrelismo, de marca maior eu digo, não somos os heróis que mudaram o mundo tão pouco somos aqueles que levaremos ao abismo, os nossos olhos abertos são cinzas da poluição deixada ao mar aberto do corpo e da alma e é passando a fumaça de mão em mão que muitos engajados constroem o nosso amanhã, sem hipocrisia nenhuma que gravata nunca definiu progresso, ao contrário, a sujeita da barba de muitos é limpa com a ponta da mesma, e é com o dinheiro sujo, o nosso limpo que já deslavadamente já foi lavado é que chega a seda de todas elas, deixa disso mundo, deixa de rodar feito pião apontando o dedo no primeiro cidadão de verdade que encontrar e tira a venda do cinismo de nós todos, deixa disso Brasil, que entre poetas e bêbados que tu jogas na sarjeta é que tu afundas todo dia entre loucos e vis que abocanham suas raízes acompanhada de batata frita e ketchup.

sábado, 20 de abril de 2013

Criatura e criador.


Resolvi chorar em letras, porque as lágrimas em físico me faltam, hoje percebo que não posso e não consigo ser um bem, mesmo que eu seja na vida de alguém, hoje como outras vezes já aconteceram fui acusada de ser um dos piores seres humanos na face da terra, julgaram meu caráter, minha vida, meu sucesso, me acusaram por fazer coisas normais, por tentar crescer, por tentar ajudar mesmo aqueles que me acusam, me causaram dor, quantas vezes já? E hoje é só uma lembrança daquilo que sempre sofro, é como um filme assistido muitas vezes, já repito as falas, mesmo tendo fé, é fé e acreditando sempre que fé cega é faca amolada, já me cortou tantas vezes, mesmo ocultando os meus pensamentos mais sombrios e deixando assim que prevaleçam os de esperança, os de amor o ser humano que sou está enraizado na condição de ser vazio, mesmo apostando na sorte, sou só receptáculo pra acusações e como delatora que sempre hei de ser, delatora de moral aos imorais todos, delatora de condições aos mendigos todos, delatora de caráter aos injustos todos, sou condenada aos mais penosos dias frios das almas injustiçadas, quem dera eu ter força minha senhora, pra garantir o conforto para aquela que colocaste no mundo, um dia garanto que levarei pra longe o bem mais precioso que não sabes que tem e de ti só sobrara migalhas de sonhos desperdiçados e arrependimentos de atos mau julgados e impensados que prematuramente executasses, tirarei de ti o ouro que nem pensas em vender e já sentes a dor, porque sabes que já desde hoje ela te ignora, não porque pedi pra assim fazê-lo, mas com as tuas próprias ações que afugentam matilhas inteiras de lobos, já afastasses de ti, um dia te olharei com a cabeça erguida e pedirei a tua ausência e essa será acatada, eu sei que não sem dor, mas por dores que tu já fizesses a outros sentir, é com isso que eu sei que o tempo um dia torna tudo muralha forte e tocável e não está longe para que essa julgada aqui, te condene.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Olha só.


É assim devagarinho, de fininho que eu te amo.
Não precisa ser doutor em amor, em cama, em calor, é simplesinho que eu te amo.
Não precisa ter piscina, carro esporte ou karatê.
Sentimento em abundancia, nem precisa ter lambança, tamo junto e tamo bem.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Keep Holding On


Nos ver em uma situação dessa, não consigo manter as rédeas nessa carruagem/mundo que corre rápido demais minha flor, perco a linha e sei que meus trilhos acabaram e vão bater, perto demais, perto demais sempre me encontro, são códigos antigos de conduta que me forço a seguir, você me conhece, conhece minha vida, não sou falsa, tão pouco, não sou isso, tenho carne pulsante demais pra saber compreender onde nossa estrada bifurcada que acabamos seguindo rumos diferentes vão dar, acredita que elas se afunilam no final me fazendo esbarrar no teu ombro novamente? Acredita flor? Acredita nessa fé cega de happy ends cinderelescos? Acredita bem, que assim não sonho sozinha, me perdoa, parece um adeus mais não é, é um não me esquece, não me julga, não me maltrata assim, não desiste. A corda que me amarra é grossa demais pra uma pessoa tão pequena quanto eu, são começos e fins intermináveis que me faz mais atada a ela cada vez que me mexo e forço a fuga, mas você, no fundo você me decodifica como ninguém, só quero que saiba que eu sou uma ultima peça de um quebra-cabeças acabado pelo tempo, não me encaixo em lugar nenhum, só me forço pra manter a beleza no quebra cabeça que melhor me coube, infelizmente.


R.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cedo ou tarde é hora de fugir.



Era uma casa que tem várias cores descascadas. 
Onde o passarinho é preso na gaiola e os gatos na corrente.
É onde a liberdade nunca existiu e os humanos por sua vez eram presos dentro das suas próprias cabeças. O sol nasce e se vai por entre o muro e eu nunca durmo, é esse lugar que a esperança nunca visitou, o egoísmo vive e os maus costumes tomam conta.
É onde eu vivo, infelizmente.




Nota Póstuma

É entre às paredes desse quarto que eu já não consigo ver quem sou, quero ser passarinho solto, gato livre, mas como desaprendi a correr, fico nesse eterno jogo de olhar passarinho triste e alisar gato preso.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Os humanos tristemente não se desmontam.


    Eu estou esperando, é um começo interessante para quem tem imã para espera, sinto que esperas são realmente muito tristes, é como se sentir frágil na portaria de uma escola aguardando alguém que não vem te buscar nunca – Ok estou exagerando, sempre vem alguém, sempre vem, mas eu fico com essa antecipação pendendo do lado esquerdo do corpo, algo de mim se desprende e tenta em vão procurar a presença desejada que não chega nunca, verifico o relógio, mais 5 minutos, mais 10 minutos, uma eternidade eteria traduzida em códigos e números, lembro que até hoje não aprendi direito a ver as horas em relógios de ponteiro, a lembrança me faz rir, desde pequena nunca suportei esses eventos cronometrados, marcados, adiados, frios, por mim o encontro deve ser assim, aparecer trazendo surpresa, cheiro de cigarro, perfume, shampoo, cheiro de toalha molhada no rosto, enchendo a casa, o vento poderia me trazer esses cheiros para fazer eu me sentir melhor, é inútil.
    Entra, sai, chega, parte e nada, o tic tac me entorpece, fecho os olhos e lembro da voz me dizendo, sem falta amanhã te pego, te dou um beijo, te faço ronronar como gato manhoso e te deixo ir, mais leve que qualquer pena, com sorriso bobo nos lábios e eu repito pra mim, só mais uns minutos, mais alguns, as horas passam e irremediavelmente eu tenho que dizer que toda a areia da ampulheta moderna se esvaiu, o sono não vem hoje, eu sei, a pausa intermediaria que me daria tanto prazer e felicidade também não. Fui, de cara amarrada, sorriso falso, boca seca. Fui, pra voltar amanhã, porque se há espera, há encontro, acredito.
 

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