terça-feira, 26 de julho de 2011

Carta para Ana Pt 2

É menina, dessa vez a dor não veio e essa falta de dor me dói, não tente me procurar mais, me perdi e estou no meio do caminho chorando por não poder voltar e por não conseguir ainda ir em frente, é difícil fechar os olhos e tapar os ouvidos meu bem, mas quando eu voltar, me chama de amor de novo e diz que ainda vai cuidar de mim Ana, que pra você sempre retornarei.


Nota Póstuma

Pode ser que não mais me espere, que não quer mais me ver, mas eu sei que me encontras na fumaça que sai das bocas e dos sorrisos tristes das pessoas ao redor, poder ser que não queiras mais a mim, corpo/presente, mas vai sempre me encontrar Ana, na alma/pensamento de tudo que vier a ser sua, como eu.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

E o vento levou.

Me vejo buscando a ti, sem querer, desculpa te ligar pra falar do que já está perdido mas é que as vezes esbarro com você ao lado da cama, é desculpa devo estar variando, bêbada, fudida assim, eu sei que você não está lá mas eu te sinto sabe?  Te sinto ainda sabe, você me sente ainda?  Tinha me acostumado com a sua presença mulher e me ver sozinha assim me constrange tanto, queria parar de tentar pegar carona na sombra das coisas, até da minha, desculpa telefonar a essa hora pra te falar do que já está morrendo ou morreu? Não desliga agora eu sei que estou sendo chata, preciso de você, te sinto, sinto, é sinto muito se não pude ser mais, mas sou capaz de ser, é eu sei que já não tem meios de contorno e essa nossa mão não é dupla e não te dá chances de voltar né? Eu devo estar meio louca mesmo, mas ando bem, me alimentando bem, triste demais, é triste demais te ver passar por ai fingindo não me ver, ou não me ver realmente? Tentei, eu sei que falei que ia devolver as suas coisas, desculpa não pude, descobri que elas são minhas também  e não pude sabe? As vezes penso em queimá-las mas não consigo, pode me dizer o que eu faço agora mulher? Estou perdida nessa mesa de bar com esse gosto de sal de lágrima, de sal, limão e alcool, já cantei todas as músicas tristes que consegui mulher e você não me sai, saio andando na rua pensando em você, é sempre assim ou quer dizer por enquanto, faz frio sabe e coloco as duas mãos no bolso do casaco pra me esquentar, venho cantarolando  ( Mas cada vez que eu te vejo eu mudo o canal) do Esteban e procuro um cigarro amassado no bolso e fico repetindo essa música, mas faz frio, eu tenho fome, estou bêbada e a fumaça nem me aquece mas assim, imagino te encontrar nessa esquina, imagino tanta coisa mulher, eu chego em casa assim e hoje te telefonei só pra te afirmar que estou decadente, que sou deprimente, coisa que você ainda deve saber, e não há mais nada a dizer, você está feliz e eu não e o mundo é isso ai né? Sei que sim! Bem vou ter que desligar, tenho que ir dormir, vou ter mais um pesadelo ou será sonho com você, mas você não vai estar ao lado da cama, ao meu lado nem em canto nenhum que eu vá mais né? Seja feliz.

sábado, 21 de maio de 2011

N°1

Entro, pois a porta estava aberta. 
Dentro, vejo uma menina de olheiras sedutoras acompanhada, tão somente, de um caderno e uma caneta.
Me ponho ao seu lado, num ato amigável ela me estende o seu caderno.
Leio, releio e gosto. 
Tão maravilhado fico ao presenciar aquelas palavras, me enchem a vista e o pensamento.
Sorrio e recebo um sorriso de volta. 
De repente, percebo que as paredes do recinto estão todas escritas.
Penso com os meus botões: "Porque tamanha genialidade está envolta à quatro paredes ?"
Repenso com os meus botões: "Se um dia as paredes ruírem, e as palavras forem expostas ao mundo, terei sido o primeiro a lê-las".



Derek Schelling *-*

Fatos, apenas.

Podem achar que eu sou deprimente, ótimo você não tem que achar nada de mim pelo menos não agora, vejo imagens diformes de tudo que eu realmente sinto, sintonizadas e sincronizadas agora automaticamente, uma ligação intima porém muito pouco confortadora, acredite você não quer ter essa ligação e nem sente que ela realmente exista até se dar conta de que o seu coração sua mente e sua íris trabalham em completo sincronismo e garanto, você sentira isso da pior maneira, quanto tempo eu perdi assistindo um filme pra me distrair? Quanto tempo levei mudando de canal e canal? Quanto tempo levei bisbilhotando o quarto da minha irmã aproveitando que ela estava fora só pra ter o que me ocupar? E quanto tempo vou passar aqui escutando essa discografia dos Beatles e digitando muitas mais muitas palavras desconexas? Não consigo parar de pensar que eu sou uma total fracassada. Pois é um ponto, porque eu não estou aberta a discussões sobre isso, garanto que eu saberei que estão mentindo, me agradando ou mesmo colocando pra lascar em mim, isso não importa agora, acho que o que eu penso e o que pensam de mim realmente nunca foi importante, não sou normal, absolutamente não, vou ficar pregada nesse teclado querendo estar com alguém que eu não posso, mais minha mente está dividida em várias outras que eu realmente não pude mais queria muito estar, mais o que eu vou fazer quando você correr perigo? Eu me pergunto querendo saber a sua resposta, porque eu estou em perigo talvez não tão real como pensam e temem mais um perigo sentido, uma luz vermelha e uma placa de pare dentro de mim, agora estou jogando automaticamente tudo que estou pensando, ‘’penso logo existo’’ obrigada mesmo Déscartes, mais prefiro a minha versão dos fatos, a sua filosofia observada não observou muita coisa, penso logo caio no longo abismo que tem a frente, penso logo sofro, penso logo sinto saudades, penso logo morro pelas beiradas, e a criança que tá comendo a papa da minha vida quer chegar logo no quente do meio, ela é tão louca e perigosa como eu, então o que acham de mim agora? Eu não acho nada, irei escrever mil palavras aqui e não conseguiria me elogiar ou me diminuir, sou essa cópia barata de tanta gente que realmente mereço um processo de plágio, quantas de muitas haverão de existir dentro de mim mesma? Quantas de mim mesma haverão de ser muitas? Eu sou um mosaico de tantas lembranças, é devo estar fazendo uma tempestade em um copo d’água nesse exato momento, mais é porque sincera e fracassadamente não sei o que fazer. Nunca soube.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Quer saber? Parti.

Eu tive você, sim eu tive, eu ainda tenho você não adianta você é minha, te mostrei o mundo e o fundo do poço não foi você que me mostrou, te fiz importante e me importar também não foi você que me mostrou, tenho anteriores, tenho antecedentes, tenho dores, mas não te tenho mais aqui, quer saber vai doer como dói outras feridas que não foram causadas por você. E você? Você vai continuar a ser assim? Manipulada, destroçada, sendo guiada por outros, seguindo um ponto de vista cego?  É acho que vai, então boa sorte, seu futuro eu já vi em outras vidas, você não é poesia, nem sabe identificar, nem ler, nem apreciar, você não sabe de nada da vida garota, e eu também não mas sei observar quem sabe posso lhe contar se quiser o que eu vejo e o que eu vi, você vai se machucar como machucou a outros e vai ser abandonada no meio e vai sentir tanta vontade de que chegue o fim e ele não vai vim, não espere o fim querida, ele vem ele sempre virá desde o começo da humanidade muito antes de eu ou você nascer, você não foi a primeira e nem a última, Eu? Não posso dizer o mesmo pra você, fui a primeira e sempre serei, serei concreta, serei sempre o seu porto seguro ou sua referencia e você? Só mais uma de tantas outras que se achavam importante e hoje você as vê na minha vida? Pois é, seu mundo, seu corpo, seu sexo não vai ser mais meu, sei que vou ouvir os seu gemidos altos, vou sentir o seu suor na minha pele, a sua língua no meu ouvido, o seu toque, a sua satisfação como um sonho ou um pesadelo durante muito tempo, mas sabe tantas outras línguas já passaram, já sentiram e que também tenho saudade e a falta já me é normal querida, seja você sim? Pena que eu não vou querer mais assisti-la, pena que sua peça teatral de tragédia eu já assisti em outros carnavais, vamos brincar de ser felizes hoje, é o que posso oferecer a nós, já tratei de começar e você trate de começar também. 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O meio.

O começo.
Não é bem um começo, é uma extensão da história de uma menina qualquer a luz dos refletores mas olhando microscopicamente dentro de si própria os traços de marcas que existe são tão fortes como raízes fincadas no chão de um grande carvalho branco, de novo ela chora, as lágrimas quentes e grossas se estendem até ela pegar no sono, uma inquietação dentro de si há faz ficar assim com as compotas abertas deixando as águas quentes lavar todas as mágoas, e ela é assim uma menina magoada, frágil em seu interior mas um sorriso e uma felicidade inventada servindo de couraça, ela ainda continua a insistir dia após dia, ela já se perguntou tantas vezes porque, mas nunca soube responder e temo que nunca saberá realmente, ela só usa o pouquinho de amor e carinho que pode juntar como escudo, se não se estilharia em cacos de poeira colorida e deixaria aparecer a sua massa viscosa e frágil que é quem realmente é, por causa do seu escudo ela tem que vagar por ai, andarilha que sempre será em busca de amor, carinho, proteção e deixando de lado as ofensas, acúmulos exagerados que faz por sacrifício, ou por ser omissa, beirando as vezes a estupidez, por deixar ser nocauteada tantas vezes, sangrando, respingando e sujando todos de vermelho vivo, mas fingindo que está tudo bem, sorrindo com uma alegria amarela e estendendo a mão ao açoitador e lhe dizendo palavras confortadoras, evitando que é ela mesmo que precisa ser consolada, mas a menina é mal, internamente, o acumulo há fez grandes estragos e por sempre sentir dor e insônia seu rosto se contorce em uma careta malvada e em baixo dos seus olhos roxos formados pelas noites em que sua mente não há deixa dormir, quem diz que a sua vida é ruim, ela acha que não, que há várias outras vidas insuportáveis, e que o sei inferno particular não parece tão ruim comparado há muitos outros, as palavras de bondade ditas por tantos estranhos que a andarilha encontrou não adiantava muito no seu esforço de apaziguar a dor, mas as de maldade ditas por quem conhecia tão bem e representava tanto para ela lhe causavam fúria, fúria de furacões devastando cada órgão pulsante dentro de si, e com um tempo ela vai se tornar incapaz de falar, emudecerá para todos e para vida, e deixará que a sua voz passada ecoe pela sua eternidade, e quando todos não se lembrarem mais da sua voz, das suas palavras, ela olhará com tristeza mas não será capaz de falar novamente, pois terá esquecido como se fala ou como se expressa ou como se escreve, pois sua voz foi silenciada, sua palavras foram apagadas e suas expressões desfeitas, pelo tempo e a velhice da memória humana, pela morte do seu interior, morte da menina andarilha, pois sem todo dom que tivera um dia mudo, morto, perdido no espaço pensará consigo que ela também se perdeu nesse espaço todo de tempo, de dor e de busca, que ela almejava também mais que tristemente nunca encontrou.          

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Detalhes, detalhar, detalhada.

É só sei falar de amores perdidos, desilusões e quando já não se perde nada nem se desilude não há o que escrever mais, não sei falar de infelicidade na felicidade, me resumo a três palavras, vazio, pedaço, falta. É difícil filosofar quando quem quer que ouça não entende, então me limito a ser breve, instantaneamente abaixo a vista e fico muda. Infelicidade, falta, vazio, pedaço, se já me resumi e avisei que ia ser breve sem mais delongas eis o ponto final.


Nota póstuma

Não era minha intenção ser breve, queria gastar calendários, gastar sonhos, planos, gastar sorrisos, tenho tantos pra dar, sou tão rica de detalhes, mas já estou começando a não poder mais me detalhar, eis aqui a garota que entrega os pontos ou os pontos a costurará?
 

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